Thursday, August 25, 2005

I can't find my way to Neverland.

E hoje quebrou-se o fino gelo sobre o qual caminhava há algum tempo
estilhaçou-se por baixo dos meus pezinhos descalços
dividiu-se em cinco mil fragmentos e eu caí no lago gelado
sobre o qual patinava em euforia e êxtase.

descobri que se calhar estivera a fantasiar demais
a romantizar demais, a querer demais, a prender demais
a beijar demais..(?)

e o que para mim tinha sido sempre um trilho a dois
parecia cada vez mais solitário, individual...

estaria eu a ver para além dos olhos?
a sentir para além da alma?

a sentir por dois,
a amar por dois?

tudo pareceu tão diferente a partir daí...
a cama que dividíamos pareceu crescer e afastar-nos, criando um abismo de gelo entre os dois
o sabor do teu beijo que guardava na boca pareceu azedar
a garganta adelgaçou, antevendo um choro contido
as palavras que acabavas de proferir latejavam na cabeça,
nas mãos desejosas de te tocar,
nos lábios sedentos de te beijar..de novo,
nas pernas, antes entrecruzadas com as tuas...

e os meus pés, feridos do gelo,
não procuraram mais os teus

e assim me deixei ficar toda a noite
a rever cada palavra que disseste
para me certificar que tinha ouvido bem

a reviver cada momento que havíamos passado ultimamente
procurando, talvez, algum erro da minha parte
ou talvez o momento em que o desejo, o interesse,
a paixão, a libido tivessem acabado,
dando lugar a um sentimento de carinho entre...amigos (?)

e senti-me imensamente vazia

senti que estivera a construir castelos no ar,
feitos de pedacinhos de nuvens,
ou a inventar um romance onde eu era a mulher,
o homem e o amor que os unia.

apeteceu-me chorar
apeteceu-me fugir
apeteceu-me correr para o colo da mamã
apeteceu-me saber o que se passava dentro de ti
(ainda que a resposta a essa pergunta não me fosse agradar)
apeteceu-me acordar desse pesadelo

mas não fiz nada disso
limitei-me a ouvir e tentar descodificar essa mensagem
que o teu coração, a tua cabeça ou a tua vontade
me queria transmitir.

mas por mais que me esforce
não se pode apagar o que se fez...o que se disse
e será mais um facto com o qual terei (teremos) de viver.

se duvido?
não...

se o sentes?
sim...

até que ponto?.......
...

e tentei nadar até à margem, mas a margem parecia sempre tão longe...
pensei em desistir...


deixo-me ficar mais um bocadinho no gelo...
para ver até onde se consegue suportar.

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